Bad Boys Para Sempre 24

Quando você fala sobre cinema, você não pode ter preconceitos a respeito de nenhum gênero, isso porque filmes combinam diferentes estilos, técnicas, execuções e etc. Mas Diante do trauma que Reboots me impuseram (principalmente pelos lançamentos do ano passado), eu passei a olhar “Bad Boys: Para sempre” com o mesmo nariz torcido com que olhei os demais. Apesar de ser uma sequência depois de muito tempo, eu tinha fundamentos para meu medo. Felizmente, eu estava errado.

Depois de quase duas Décadas do segundo capítulo da franquia, Will Smith retorna com Martin Lawrence num filme que é repleto de elementos que são inerentes do gênero: Muita ação, Garotas bonitas, Tiro pra todo lado e incessantes perseguições de carros. Tudo isso é claro, dentro de um contexto muito mais bem trabalhado do que os filmes anteriores da franquia. Dessa vez o roteiro se constrói com o objetivo de focar em certos absurdos que, ironicamente, são completamente coerentes dentro do que a história nos apresenta. Os planos de ação são longos, com sequências bem construídas, fluidas e sem cortes, transmitindo uma ideia de naturalidade para a audiência sem nunca parecer minimamente forçado. As locações são diversas e a direção do filme se empenha em destacá-las através de uma fotografia viva que explora tons tropicais que vão desde Miami na flórida, até a cidade do México. Visualmente espetacular.

Tudo isso se combina ao carisma sem limite de Will Smith e Martin Lawrence e sua química em cena. É impressionante como, mesmo depois de tanto tempo, conseguem repetir com tranquilidade o mesmo entusiasmo e energia dos capítulos anteriores em cena. Seja através de diálogos bem humorados ou piadas politicamente incorretas entre eles, É impressionante como tudo em “Bad Boys: Para sempre” é bem equilibrado. Existe um aprofundamento maior da dupla de protagonistas, criando arcos individuais para cada um e especificando o que aconteceu com eles nesse intervalo de tempo.

Apesar de ser uma experiência gratificante e divertida, “Bad Boys: Para sempre” não consegue se desvencilhar totalmente de alguns estereótipos inerentes ao gênero. Isso é notório no desenvolvimento de alguns personagens secundários e até mesmo na forma caricata como a vilã, Isabel Aretas, Se apresenta. Em Algumas partes, a forma como se porta em cena lembra muito as atuações exageradas de novelas mexicanas.

“Bad Boys Para Sempre” é resumido em sua Honestidade. É um filme equilibrado, linear, divertido e que nunca se propõe a entregar algo maior do que a sua concepção. Passa longe de ser só mais um filme de ação, já que é executado de maneira divertida, recheada de tons diferentes e muito, muito estilosa !

“Bad Boys, Bad Boys, What you gonna do ? 🎵”

Assistam !

🌟 8.5 / 10.0

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Apaixonado por cinema, amante da sétima arte, fã incondicional de Cavaleiros do Zodíaco e compromissado em fazer a melhor crítica nacional.

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Doutor Sono 170

“Doutor Sono” é o tipo de filme que eu, se fosse diretor de cinema, talvez hesitasse em fazer. Primeiro porque ele carrega a responsabilidade de ser a sequência direta de “O Iluminado” (que mesmo diante da polêmica na época de seu lançamento, se estabeleceu como uma referência no terror). Segundo, porque o diretor escolhido para o projeto – Mike Flanagan – tem um grande dilema em suas mãos: Abraçar o projeto de Stanley Kubrick, que desagradou Stephen King nos anos 80 ou ser fidedigno ao original e continuar através dele ?

Passados 40 anos dos eventos de “O Iluminado”, Danny se tornou uma réplica de seu pai, um homem alcoólatra, perturbado pelo medo e que continua a reprimir o seu dom de “iluminar”. Na estrada para sua recuperação, ele conhece a Jovem Abra, uma menina com um dom semelhante ao seu e que está sendo caçada por um grupo de “vampiros” que se alimentam de pessoas capazes de iluminar para se manterem vivos.

“Doutor Sono” é curioso em sua composição, porque seus elementos são voltados mais para o suspense que reside em acompanhar o desenvolvimento de Danny como personagem, explorando suas mazelas, do que para o terror em si. A Fotografia é fria, alternando entre o cinzento e um azulado depressivo. A trilha sonora é eclética, não só para se adaptar às sequências que são dinâmicas, mas também para pontuar e trazer inquietação em cenas cuja importância vem através da observação do espectador. E tudo isso funciona muito bem, porque o Roteiro é eficiente e o ritmo com que o atos passam é agradável. Ewan Mcgregor é convincente no papel do protagonista e sabe transportar com facilidade a carga dramática necessária para compreendê-lo. Sua versatilidade,nos momentos de bebedeira de Danny, até sua recuperação, ilustram sua facilidade de adaptação. Kyliegh Curran é uma graça como Abra. Carismatica, inteligente e sensível, consegue despertar a empatia do público. Rebecca Ferguson é divertida e vilanesca no papel de Rose sem precisar cair no clichê, mas carecia de um desenvolvimento maior da personagem, talvez com um background mais bem explicado.

O problema de “Doutor Sono” está atrelado a uma falsa emoção que implanta na audiência, pois todos os acontecimentos preparam terreno pra uma Epifania, para um momento que deveria ser grandioso ou surpreendente mas esse nunca chega. Além disso, o ato final é muito extenso, passando do limite do que deveriam ser meras referências e repetindo praticamente muitos dos acontecimentos de “O Iluminado”, numa tentativa explícita de “agradar gregos e troianos”. Fidelidade ao cânon cairia muito bem.

 

“Doutor Sono” é um terror que faz parte de uma das abordagens literárias de Stephen King que gosto muito: A de enfrentar os fantasmas do passado e supera-los. Me leva a refletir que temos o poder de decidir aquilo que queremos ser. Na verdade, mostra que podemos ser versões melhores – “sequências” (fazendo um trocadilho) melhores do que nossas versões anteriores, mas mantendo a autenticidade. Sempre.

🌟 8.0 / 10.0

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Exterminador do Futuro: Destino Sombrio 128

“Exterminador do Futuro”’ é sem dúvida, uma das franquias do gênero da Ficção mais aclamadas. A ideia de que um dia, todas as máquinas, utilizando de seu conhecimento dado pela própria humanidade, a subjugaria, é uma pauta discutida até hoje pelos aficionados pelas teorias do fim do mundo.

Só que assim como outras produções que marcaram sua época (Halloween, Predador, Rambo), “Exterminador do Futuro” precisava de renovo, algo que pudesse dar um fôlego de ânimo, depois de sequências tão conturbadas. “Destino Sombrio” ignora os 3 últimos filmes, se situando cronologicamente após os eventos de “Julgamento Final” e consegue devolver convincentemente e de forma interessante a essência que a direção buscava.

Mesmo com a evidente reciclagem de fatos já usados anteriormente, “Destino Sombrio” chama atenção por não se prender à uma base inicial de desenvolvimento das personagens. Ele está mais preocupado em lançar o espectador em sequências de ação alucinantes, somente para amarrar a atenção e só então introduzir as explicações necessárias para a continuidade da trama. E isso funciona incrivelmente bem. Fica óbvio que a direção investe massivamente em expandir a mitologia do Exterminador ao introduzir dois elementos novos: Humanos “Aprimorados” (que são meio humanos e meio máquinas) e uma nova espécie de Exterminador, mais rápida e extremamente poderosa. Utilizando  a linha de construção de protagonistas femininas poderosas, o roteiro consegue ser inteligente e ir além: É através delas que a essência de “Exterminador” é resgatada.

E é tudo feito de uma maneira muito natural, sempre trabalhando a progressão emocional das mesmas diante do necessidade de sobrevivência. As cenas de ação são impactantes, bem montadas e usam bastante de CGI, mas que oscilam abertamente entre o natural e o extremamente artificial. Linda Hamilton retorna no papel de Sarah Connor, agora uma mulher amargurada, vingativa e sem nada a perder, preenchendo várias cenas mesmo como coadjuvante e Arnold Schwarzenegger (a cara da franquia) é convincente e surpreendentemente divertido, ao mostrar o destino de seu “exterminador” depois de todos esses anos.

O problema de “Destino Sombrio” são suas resoluções. Além de previsíveis, já foram vistas nos filmes anteriores da franquia. Isso sem contar a ausência de Plot Twist ou de alguma surpresa, pois os trailers do filme praticamente contaram tudo o que ia acontecer antes, não deixando praticamente nada para surpreender os fãs mais ávidos.

 

“Exterminador do Futuro: Destino Sombrio” merece aplausos por conseguir conciliar bem seus elementos e trazer de volta o que se espera da franquia, em uma época onde colegas de mesma “idade” (Rambo: Até o fim) não conseguiram o mesmo. Sabe utilizar bem o Carisma de seus protagonistas e abre novos horizontes a serem explorados dentro de sua mitologia.

🌟 8.5 / 10.0

LUCAS DANTAS 🙋🏻‍♂️

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