Doutor Sono 49

“Doutor Sono” é o tipo de filme que eu, se fosse diretor de cinema, talvez hesitasse em fazer. Primeiro porque ele carrega a responsabilidade de ser a sequência direta de “O Iluminado” (que mesmo diante da polêmica na época de seu lançamento, se estabeleceu como uma referência no terror). Segundo, porque o diretor escolhido para o projeto – Mike Flanagan – tem um grande dilema em suas mãos: Abraçar o projeto de Stanley Kubrick, que desagradou Stephen King nos anos 80 ou ser fidedigno ao original e continuar através dele ?

Passados 40 anos dos eventos de “O Iluminado”, Danny se tornou uma réplica de seu pai, um homem alcoólatra, perturbado pelo medo e que continua a reprimir o seu dom de “iluminar”. Na estrada para sua recuperação, ele conhece a Jovem Abra, uma menina com um dom semelhante ao seu e que está sendo caçada por um grupo de “vampiros” que se alimentam de pessoas capazes de iluminar para se manterem vivos.

“Doutor Sono” é curioso em sua composição, porque seus elementos são voltados mais para o suspense que reside em acompanhar o desenvolvimento de Danny como personagem, explorando suas mazelas, do que para o terror em si. A Fotografia é fria, alternando entre o cinzento e um azulado depressivo. A trilha sonora é eclética, não só para se adaptar às sequências que são dinâmicas, mas também para pontuar e trazer inquietação em cenas cuja importância vem através da observação do espectador. E tudo isso funciona muito bem, porque o Roteiro é eficiente e o ritmo com que o atos passam é agradável. Ewan Mcgregor é convincente no papel do protagonista e sabe transportar com facilidade a carga dramática necessária para compreendê-lo. Sua versatilidade,nos momentos de bebedeira de Danny, até sua recuperação, ilustram sua facilidade de adaptação. Kyliegh Curran é uma graça como Abra. Carismatica, inteligente e sensível, consegue despertar a empatia do público. Rebecca Ferguson é divertida e vilanesca no papel de Rose sem precisar cair no clichê, mas carecia de um desenvolvimento maior da personagem, talvez com um background mais bem explicado.

O problema de “Doutor Sono” está atrelado a uma falsa emoção que implanta na audiência, pois todos os acontecimentos preparam terreno pra uma Epifania, para um momento que deveria ser grandioso ou surpreendente mas esse nunca chega. Além disso, o ato final é muito extenso, passando do limite do que deveriam ser meras referências e repetindo praticamente muitos dos acontecimentos de “O Iluminado”, numa tentativa explícita de “agradar gregos e troianos”. Fidelidade ao cânon cairia muito bem.

 

“Doutor Sono” é um terror que faz parte de uma das abordagens literárias de Stephen King que gosto muito: A de enfrentar os fantasmas do passado e supera-los. Me leva a refletir que temos o poder de decidir aquilo que queremos ser. Na verdade, mostra que podemos ser versões melhores – “sequências” (fazendo um trocadilho) melhores do que nossas versões anteriores, mas mantendo a autenticidade. Sempre.

🌟 8.0 / 10.0

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Apaixonado por cinema, amante da sétima arte, fã incondicional de Cavaleiros do Zodíaco e compromissado em fazer a melhor crítica nacional.

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Françoise Forton 814

Fotos: Carol Goetz
Make: Alex Palmeiras
Stylist: Humberto Correa

Françoise Forton Viotti nasceu no Rio de Janeiro no dia 8 de julho de 1957, filha de um frânces com uma brasileira, a atriz morou em Brasília dos 5 aos 17 anos e foi lá que aos 8 anos ela descobriu seu grande amor pelas artes cênicas.

Françoise Forton

Foi no Grupo Teatro Equipe de Brasília (TEB) que Françoise começou a dar seus primeiros passos, protagonizando clássicos infantis até os seus 16 anos. Sua estreia profissional ocorreu aos 11 anos, um breve papel na peça “Édipo Rei”, onde ela fez uma das filhas do Paulo Autran, ainda aos 11 anos a atriz estreou no espetáculo “Os pais abstratos”, na Martins Pena, com Glauce Rocha, Darlene Glória e Jorge Dória.

Porém Françoise não parou no teatro, aos 12 anos teve sua estreia na televisão em “A Última Valsa” e no curta “Françoise Dreams”, produção da BBC de Londres. Aos 13 estreou no cinema ao interpretar Renata na obra “Marcelo Zona Sul”.

Françoise Forton

Isso abriu grandes portas para a atriz que desde então só tem tido sucessos em sua carreira, juntando seu trabalho no teatro, cinema e televisão a atriz já tem acumulado mais de 50 participações nas obras mais variadas, incluindo sua personagem Dora no filme “Araguaya – A Conspiração do Silêncio” que recebeu o Prêmio Especial de Gramado de 2004.

Em 2011 Françoise ganhou o prêmio de Melhor Atriz pelo Festival Internacional de Teatro de Angra – FITA, através de seu trabalho na peça “Chopin Sand?”

Françoise Forton

Esse prêmio foi mais do que merecido, pois a atriz tem se dedicado totalmente à sua carreira, Françoise é formada em ballet clássico, estudou música e cursou na Royal Academy of Dance de Londres o Teacher Trainer, especializando-se em aulas de ballet a alunos especais. Estudou canto lírico e canto popular. E em 2003, formou-se em Direção de Cinema e TV, mostrando sua versatilidade ao roteirizar e dirigir os curtas “Estação das Flores” e “Crepúsculo de Odin”.

Seus trabalhos mais recentes incluem o longa-metragem “Coração de Cowboy” onde Françoise interpretou Iolanda, uma empresária musical, a novela “Tempo de Amar” cujo seu papel foi a personagem Emília Macedo, uma mulher forte, solteira e à frente do seu tempo e o musical “Estúpido Cupido”, nesse espetáculo que teve sua estreia em 2015 em comemoração aos 50 anos de carreira de Françoise Forton, vemos a história de um grupo de amigos de infância que se reúne para fazer uma festa dos anos 1960. O espetáculo que teve sua reestreia no Rio de Janeiro em Abril desse ano conta conta com o texto de Flavio Marinho, direção de Gilberto Gawronski e produção de “Barata Produções”.

Françoise Forton

Fotos: Carol Goetz
Make: Alex Palmeiras
Stylist: Humberto Correa

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Babi Xavier vive mulher de Martinho no teatro: “Forte!” 474

Por Luciana Marques

* Matéria publicada no Portal Arte Blitz

Desde que tornou-se mãe de Cinthia, de 6 anos, a vida de Babi Xavier não transformou-se só pessoalmente, sua carreira também deu uma virada. “Eu comecei a fazer teatro! Antes, tinha receio, me achava não merecedora, talvez, dos Deuses do teatro. Não imaginava que poderia ter uma rotina”, lembra.

Mas os palcos e os Deuses a receberam de braços abertos. Tanto que ela está em cartaz até 15 de julho com o seu quarto espetáculo: a peça musicada Martinho da Vila 8.0 – Uma Filosofia de Vida, no Teatro Clara Nunes, no Rio.

Na montagem de Ana Ferguson, Luiz Marcelo Legey e Solange Bighetti , com direção de Wilian Vita, vive Cléo Ferreira, esposa do cantor e compositor. “Cléo se tornou uma pessoa muito especial para mim, e é na vida e na história de Martinho. Descobri uma trajetória de vida incrível desse homem, que usa até hoje a arte para o social”, ressalta.

A atriz e apresentadora, que está cursando psicologia e tem no YouTube os canais @iambabixavier, sobre trabalhos, e @talkpsicoleguinhas, com a mestra em psicologia Paula Lessa, também fala na entrevista do sonho de fazer um musical. E do reencontro com Silvio Santos, após 16 anos. Para quem não lembra, ela apresentou o Programa Livre, no SBT, de 2000 a 2001.


Babi e o parceiro de cena Nill Marcondes, que vive Martinho. Foto: Cristina Granato/Divulgação

O que você descobriu e mais te encantou desta mulher, a Cléo, por trás do Martinho?

Que é possível ser um casal, uma dupla, um par. Quantas definições para o amor… Esse amor que fortalece a gente quando a gente se mostra e se permite mostrar mais vulnerável, que é o que as pessoas estão com medo hoje, em tempos líquidos, de coisas descartáveis e impermanentes a gente consegue conviver. O elenco teve uma vivência com eles, e a gente viu que é tudo verdade. E que se você quiser, você faz o seu relacionamento existir, com imperfeições, perfeições, são momentos. Mas é possível, e eles vão fazer bodas aqui no palco, na quinta, dia 31.

Pelo o que você percebeu, Cléo, então, é uma mulher muito forte?

Ela é que troca o pneu. E aí eu me identifico muito com ela. Desde a adolescência, me coloco dentro da minha própria casa, com as questões, isso é de menina, isso é de menino… E a primeira sociedade que a gente convive é a nossa família. E é ali que a gente vai, ou sucumbir, e aguentar todos os desconfortos, ou se colocar. O ideal é que a gente possa se colocar da melhor forma possível para que todos convivam, não é imposição. Eu era chamada pelo meu irmão, Marcelo, de feminista. Eu falava, não, sou igualitária. E em 2017 comecei a fazer Faculdade de Psicologia na FAMATH, em Niterói, e aí descobri que não sou só igualitária. Eu vou pela equidade, entendendo que as pessoas são diferentes. Homem é diferente de homem, mulher é diferente de mulher, que vai ser diferente de todos os outros comportamentos, naturezas e origens sexuais que a gente está podendo debater hoje. Mas sempre fui a favor, sim, que a mulher troque o pneu, se precisar, mas se tiver alguém mais forte para ajudar, por favor. Porque trocar pneu é questão de força. Mas uma coisa que requeira mais delicadeza, sutileza, às vezes, vai ser uma mulher… Diz a neurociência que a mulher alterna a tensão de forma mais ágil do que o homem, por isso a gente dá conta de mais coisas ao mesmo tempo. Então, ser mulher é isso, girar esses pratinhos todos.


A atriz e a filha, Cinthia. Foto: Reprodução Instagram

É o seu quarto espetáculo no teatro, e agora você atua em uma peça musicada. Como está sendo?

Eu tenho um sonho de fazer musical, porque já cantei com banda, fazia show de rock, pop rock. Lancei um disco muito bem produzido em 2001/2002, pela Universal Music, mas na época não trabalhei porque tinha contrato com SBT como apresentadora. Mas agora está no Spotify, e chama, Babi do Jeito que eu Quero, tem muitas músicas incríveis, um dueto com Chico Buarque, tenho certeza que vocês vão se surpreender, é tudo verdade, tudo aconteceu. Então, esse namoro com a música já vem desde criança, depois de entrevistar músicos na MTV, no SBT. E quando veio mais forte a onda do teatro musical eu comecei a estudar canto com o Danilo Timm, e ele disse, você tem que fazer teste. E na época ele me treinou para um teste e eu fiquei na beirada. Mas aquilo me deu força para continuar. Mas quem faz audição, sabe que é o cão. Você tem que ter mais controle psicológico do que vir gravar, do que montar uma personagem, é muito diferente. E aí marcaram teste para mim às 10h da manhã, não cantei nada, não saia voz. E desde então, eu percebi que a produtora desta companhia nunca mais me chamou (risos). Mas, paciência, a vida é de erros e acertos. Então, estou doida para que me chamem para uma próxima audição, agora mais focada. Fazer essa peça musicada é maravilhoso, porque já é um namorinho aí de novo, para, quem sabe um dia, fazer um musical. Porque eu acho que isso é o que falta na minha carreira artística.

Você tem uma carreira muito colorida, fez muito sucesso como apresentadora, novelas, teatro, tem vontade voltar a apresentar?

Eu fui esses dias no SBT, e depois de 16 anos eu revi o Silvio Santos. E foi muito importante para mim. Na época em que saí, quando não renovei o contrato, as relações pareciam muito desgastadas, não entre a gente, mas entre toda a galera que fica em volta. São milhares de projeções quando você está num auge da sua carreira, milhares de pensares, ah, eu acho que você deveria fazer isso… E eu com 20 e poucos anos, óbvio, que não soube lidar com isso, ou com a maturidade que naturalmente eu busquei hoje. Então, revê-lo foi incrível, mas é fogo, porque todo o mundo fica pergutnando, você está indo para o SBT? Tem que ter um programa lá… E aí é muito gostoso isso. Eu até escrevi um e-mail, não sei se vai chegar no Silvio, falando, olha só, partiu, partiu novidade…


Foto: Ricardo Lopes e Revista X

E é um momento diferente de sua vida, não é?

Sim, agora é outro jeito de ver as coisas, agora eu sou mãe, estudo psicologia. E o fato de ter começado a fazer teatro também, só comecei depois de ter tido a minha filha. Porque eu tinha receio, me achava tão não merecedora, talvez, dos deuses do teatro. Falava, não sei se eu vou conseguir estar lá, de quinta a domingo, falando a mesma história. Porque venho de uma vida, são 25 anos, traballhando numa produção aqui, ali, um comercial, uma palestra, capa de revista, viajando muito. Então, não imaginava que poderia ter uma rotina, de estar no mesmo lugar, contando a mesma história sempre. E só fiz depois que pari, quando você diz, agora eu posso fazer qualquer coisa. Então, o teatro também faz parte deste novo mover, desta nova coragem de viver, e foi aí perto dos 40, com 37, 38 anos.

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