Água – Recuperação de Nascentes 95

Água não é um recurso inesgotável! 
Por: Carolina Hermógenes

O desmatamento é um grave problema enfrentado na luta pela preservação ambiental. Milhares de quilômetros quadrados de vegetação nativa são desmatados todos os anos no Brasil. Essa prática acarreta diversos danos, como perda da biodiversidade, empobrecimento do solo, emissão de gás carbônico na atmosfera, alterações climáticas, erosões, entre outros. Porém, quando esse desmatamento ocorre em áreas próximas a nascentes e nos arredores de rios (matas ciliares), temos um problema ainda mais sério: a deterioração dessas fontes de água.

A água não é um recurso inesgotável, a necessidade de cuidar desse bem se mostra evidente após anos de degradação e utilização desregrada. A crise hídrica que enfrentamos frequentemente no país possui causas que vão muito além da falta de chuva. A vulnerabilidade do entorno das nascentes é responsável por grande parte das mortes de fonte de água.

A vegetação nativa presente nos arredores das nascentes é responsável pela proteção das mesmas. Suas raízes profundas funcionam como um dreno de água, trazendo-a para a superfície, o que, por sua vez, aumenta a vazão nos córregos. Além disso, sua presença diminui a perda de água da chuva, pois a mesma é absorvida e chega aos lençóis freáticos em maior volume. O assoreamento dos rios também é evitado, pois a vegetação atua como um filtro das águas oriundas da chuva.

Revista X - Água

A mata presente em volta dos rios, igarapés, represas, nascentes e lagos é conhecida como Mata Ciliar. Este nome se refere a função similar aos nossos cílios na proteção dos nossos olhos. Ela é responsável por desempenhar uma função de vital importância na regularização dos ciclos hidrológicos, manutenção da qualidade da água dos rios,  estabilidade e qualidade dos solos, além da conservação da biodiversidade.O código florestal brasileiro determina uma área mínima de mata ciliar nas Revista X - Águamargens de um rio, chamadas áreas de preservação permanente.

 

Uma grande causadora da destruição das matas ciliares é a pastagem. Os fazendeiros costumam desmatar essas áreas, pois o pasto se desenvolve mais facilmente pela alta umidade, princialmente nos períodos de seca. Produtores costumam, também, desmatar a Mata Ciliar para aumentar a produção de água dos igarapés nos períodos de estiagem, já que a mata deixa de bombear água para a transpiração das plantas. Porém, este efeito é inverso a longo prazo, diminuindo o volume de água dos aquíferos no período de seca.

A Agência Nacional de Águas (ANA), agência reguladora vinculada ao Ministério do Meio Ambiente (MMA), responsável pelo monitoramento, regulação, planejamento e aplicação da Lei das Águas do Brasil (lei 9.433/97), criou o programa Produtor de Águas, de adesão voluntária, que paga por serviços ambientais os produtores rurais, que por meio de práticas conservacionistas e de melhoria de cobertura vegetal, venham contribuir para a manutenção ou melhoria da disponibilidade de água.

O programa foi lançado pela ANA em 2001 e tem como objetivo estimular a conservação e recuperação de fontes de água através de um pagamento por esses serviços. Dessa forma, o produtor que, comumente, degradaria este ambiente, está agora responsável por mantê-lo ou recuperá-lo, melhorando a quantidade e a qualidade da água da região, beneficiando a todos. Na última seleção, em 2017, foram classificados 36 projetos.Revista X - Água

Mas não pense que a responsabilidade de recuperação das fontes é apenas para Agências e grandes produtores. Todos nós podemos (e devemos) participar dessa causa. Para isso, o Serviço Florestal Brasileiro criou o aplicativo Plantadores de Rios. Nele, cidadãos comuns e donos de terrenos onde exista fonte de recursos hídricos podem, em conjunto, executar ações de recuperação e preservação de rios e nascentes. O slogan do aplicativo é: ‘Plante florestas. Colha água’. Portanto, deixa bem clara a importância das florestas e vegetação na manutenção de reservas hídricas.

O aplicativo está disponível gratuitamente nas plataformas IOS e Android. Nele, o usuário cadastra seu CPF ou CNPJ e endereço de e-mail, indica como efetuará a ajuda (cerca, doação, limpeza ou mudas) e dessa forma o Plantadores de Rios indica, em um mapa, as nascentes mais próximas que necessitam de ajuda. Em seguida, o usuário escolhe a nascente que quer apadrinhar e, juntos, o usuário e o proprietário do terreno discutem as ações a serem executadas.

O objetivo de ambos os programas citados acima é de que seja efetuada uma preservação contínua, que traga resultados a curto e longo prazos. Diferente de projetos  anteriores, iniciados por diversas organizações, que tinham bons resultados de maneira imediata, porém, após alguns anos, encerram-se por falta de manutenção.

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Gênero Super-Herói 130

“Fox, Marvel e Sony investindo pesado nos filmes”

Os filmes que são protagonizados por super-heróis por anos foram classificados apenas como filmes de super-heróis, como se super-herói fosse um gênero cinematográfico, talvez porque todos os filmes protagonizados por heróis tinham enredos que seguiam a mesma fórmula. Esses filmes eram produzidos pensando em um público bem específico, crianças e nerds, mas não a visão de nerd que temos hoje em dia; mas sim aquele nerd esteriotipado, como o Jeff Albertson, ou como é mais conhecido, o Cara dos Quadrinhos de Simpsons, que tem uma loja chamada “Calabouço do Androide”. 

Talvez fosse pelo público, ou talvez pela crítica de cinéfilos que nem sempre era favorável a esse tipo de filme, o “gênero” super-herói não era algo bem visto.  Era raro você ouvir alguém falar que estava ansioso pela estreia do novo filme do Batman, ou comentando aquela batalha épica do super-homem. Na verdade, filmes de super-herói, na maioria das vezes eram apenas aquele filme que você iria ver na Sessão da Tarde se não tivesse nada melhor para ver.

 Revista X - Super-Herois

O interesse pelo gênero começou quando a Marvel vendeu parte de seus direitos para alguns estúdios tentando fugir da falência. Acabou que depois a Marvel se tornou uma produtora (Marvel Studios) e começou a “brigar” contra a Fox, que tem os direitos dos X-Men e Quarteto Fantástico, e Sony, que tem os direitos do Homem Aranha. Com essa briga tanto a Fox, quanto a Marvel e Sony investiram pesado nos filmes querendo cada vez mais conquistar seus fãs. O sucesso inicial foi tanto que a Warner, vendo isso, quis investir nesse mundo de super-heróis, trazendo para a briga os heróis da maior rival da Marvel (a DC). Esse grande investimento que passou a ocorrer fez o jogo virar de vez, muitos dos aclamados críticos que torciam o nariz para esse tipo de filme passaram a aguardar ansiosos a sua estreia. 

Com o sucesso dos filmes, não demorou muito para que as produtoras retornassem a fazer séries focadas em super-heróis. Esse universo se expandiu tanto que foi necessário mudar a antiga fórmula de enredos batidos e devido a grande audiência  de filmes desse gênero, foi necessário reinventar. Como fazer, então, filmes do Homem-Aranha, Batman e Super-Homem que não fossem uma refilmagem dos filmes antigos? Era necessário que os filmes de super-heróis não fossem mais apenas filmes de Super-Heróis. 

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Com toda essa visibilidade, foi então que os filmes mudaram. Pense nos filmes Logan, Deadpool, Capitão América – Soldado Invernal, Thor e Guardiões da Galáxia. Pensou? Todos são filmes do “gênero” super-herói, mas esse é o único ponto em comum entre esses filmes, enquanto Logan é um filme com um apelo mais dramático (e não estou falando isso por ser a despedida de Hugh Jackman do papel de Wolverine); Deadpool é uma boa comédia; Capitão América seria classificado como um Thriller de Ação; Thor, Fantasia e Guardiões da Galáxia é uma Ópera Espacial.

Temos até mesmo gêneros cinematográficos diferentes em filmes do mesmo herói, por exemplo no caso de Homem-Aranha. O Homem-Aranha do Tobey Maguire é uma aventura, enquanto o primeiro Homem-Aranha do Andrew Garfield carrega um lado mais dramático.

Na real, “super-herói” não  deveria ser considerado um gênero, ele é um tipo de personagem que é usado para contar uma historia e cada vez mais podemos ver gêneros como comédia, ação, thriller, aventura em filmes e séries que contém um herói como protagonista. Por exemplo, a série DemolidorRevista X - Super-Herois é policial, algo mais frio, mais sério, mais violento… Algo como um Noir contemporâneo. Arrow seria uma série dramática tem mais tensão e é sombrio.  Em contrapartida, Flash e Supergirl misturam humor com aventura, suas cenas são bem mais iluminadas e cheias de piadinhas.

Até o universo de X-Men está mudando sua roupagem com os filmes “X-Men – Fênix Negra”, que tudo indica será um filme com mais drama e muito parecido com 007 Cassino Royale, e “Novos Mutantes” que estava para ser lançado esse ano, mas foi adiado para Fevereiro de 2019, pois segundo a produção do filme, o mesmo não estava assustador o suficiente. Sim, isso mesmo que você leu, se prepare que “Novos Mutantes” promete muito terror, eu já estou me preparando para não conseguir dormir depois do filme.

Não seria exagero nenhum dizer que essas mudanças estão vindo apenas para o bem, pois é nessa abrangência de gêneros que teremos muitos novos filmes bons vindos por aí e com toda a tecnologia para efeitos especiais que temos hoje em dia, tenho certeza de que  os nossos heróis dos quadrinhos vão conquistar cada vez mais espaço e fãs com sua nova versatilidade.

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Inteligência Emocional 72

Por: Renato Lopes

Já dizia uma música “É preciso saber viver”. No mundo moderno, a conquista de bens materiais, o sucesso na carreira através de estudos e trabalho e a estruturação de bons relacionamentos são algumas das situações que definiriam o que chamamos de um bom modo de viver. Mas como explicar tantas frustrações, tantas pessoas que afirmam não terem sucesso em nenhum departamento da vida, com insatisfações profundas e que definem a sua vida com uma única frase: “Ainda não me encontrei”!

O conhecimento é a base da vida, mas não há conhecimento no mundo que ajude ou supere o mais importante de todos, ou seja, o autoconhecimento! Quando conseguimos nos enxergar realmente como somos, conseguimos definir melhores diretrizes para nossas escolhas , o que consequentemente irá gerar  resultados mais satisfatórios porque poderemos agir e reagir melhor frente a situações e pessoas. Isso é o que poderíamos chamar de desenvolvimento pessoal, o equilíbrio entre a razão e a emoção, de forma a entender e dominar os próprios sentimentos; não para negá-los ou sufocá-los, mas para trabalhá-los de forma inteligente com vantagens em todos os departamentos da vida.

A psicologia, entendendo essa necessidade, caracterizou esse indivíduo como inteligente emocionalmente e assim através do psicólogo americano Daniel Goleman, criou-se e difundiu-se o conceito de Inteligência Emocional.

Em um encadeamento lógico, a situação seguiria naturalmente este caminho: Compreender os próprios sentimentos e emoções e também os de outras pessoas,  favorecendo as relações através de uma linha de conduta na qual trataríamos cada pessoa e/ou situação de acordo com a necessidade, evitando desequilíbrios que provocariam resultados negativos para si e/ou para o próximo.

 Como chegar a isso? É possível através do desenvolvimento de habilidades a autovigilância comportamental, a saber:

  • Autoanálise da sua reação diante das situações que vivencia; o que essa reação causou de impacto e imediatamente mudar a atitude se o resultado foi negativo.
  • Autoanálise nas tomadas de decisões, não deixando a impulsividade falar mais alto, sempre decidindo com calma e reflexão, seja com atitudes ou palavras.
  • Autoanálise de suas emoções e sentimentos a curto, médio ou longo prazo.  Se algum sentimento pode trazer algum prejuízo a si, evite-o e se não conseguir, controle-o até conseguir dominar em vez de ser dominado. Exemplos: raiva, medo, insegurança, tristeza.
  • Autoanálise de seus potenciais e habilidades, não se deixando dominar por ilusões, identifique o que é bom e isto trará autoconfiança e você poderá sempre se auto motivar. Identifique as fraquezas e transforme-as em força. Reconheça seus erros e aprenda com eles.
  • Autoanálise nas chamadas “situações-limite”, como trabalhos sobre pressão e cobranças para que ansiedade, síndromes e sentimentos de fuga ou desistência passem a fazer parte da sua vida. Mantenha calma, respire e tenha bons pensamentos para que possa agir racionalmente frente a isto.
  • Autoanálise de sentimentos e emoções seguem naturalmente uma sequência de enfrentamento, entendimento e expressão deles. Não tenha medo de se expressar, de forma racional e equilibrada. Seja sincero com aquilo que pensa, com você mesmo e com os outros.
  • Autoanálise de direitos e deveres seus e do próximo. Isso pede que você se interesse pelo outro e muitas vezes se coloque no lugar dele para entender sua atitude em certa situação. Quando eu entendo o outro, tenho possibilidade de desenvolver o respeito, me solidarizar e mesmo valorizar seus talentos. Compreendemos neste ponto, que as habilidades se completam, que o outro muitas vezes sabe mais do que nós e isto não seria nenhum motivo de vergonha, mas sim uma maior possibilidade de aprendizado. Permita-se aprender com os outros.

       Já sabemos identificar que é PRECISO SABER VIVER, mas na mesma música se diz: “É preciso ter cuidado para mais tarde não sofrer” e “se o bem e o mal existem, você pode escolher”.

     Podemos terminar com uma frase do mesmo psicólogo Daniel Goleman, que difundiu o conceito da Inteligência Artificial:

“As emoções são contagiosas. Todos sabem disso por experiência. Depois de um bom café com um amigo, você se sente bem. Quando encontra um balconista rude em uma loja, se sente mal”.

E com um questionamento muito simples:

Quem somos nós?

O bom amigo do café ou o balconista rude?

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