Água – Recuperação de Nascentes 15

Água não é um recurso inesgotável! 
Por: Carolina Hermógenes

O desmatamento é um grave problema enfrentado na luta pela preservação ambiental. Milhares de quilômetros quadrados de vegetação nativa são desmatados todos os anos no Brasil. Essa prática acarreta diversos danos, como perda da biodiversidade, empobrecimento do solo, emissão de gás carbônico na atmosfera, alterações climáticas, erosões, entre outros. Porém, quando esse desmatamento ocorre em áreas próximas a nascentes e nos arredores de rios (matas ciliares), temos um problema ainda mais sério: a deterioração dessas fontes de água.

A água não é um recurso inesgotável, a necessidade de cuidar desse bem se mostra evidente após anos de degradação e utilização desregrada. A crise hídrica que enfrentamos frequentemente no país possui causas que vão muito além da falta de chuva. A vulnerabilidade do entorno das nascentes é responsável por grande parte das mortes de fonte de água.

A vegetação nativa presente nos arredores das nascentes é responsável pela proteção das mesmas. Suas raízes profundas funcionam como um dreno de água, trazendo-a para a superfície, o que, por sua vez, aumenta a vazão nos córregos. Além disso, sua presença diminui a perda de água da chuva, pois a mesma é absorvida e chega aos lençóis freáticos em maior volume. O assoreamento dos rios também é evitado, pois a vegetação atua como um filtro das águas oriundas da chuva.

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A mata presente em volta dos rios, igarapés, represas, nascentes e lagos é conhecida como Mata Ciliar. Este nome se refere a função similar aos nossos cílios na proteção dos nossos olhos. Ela é responsável por desempenhar uma função de vital importância na regularização dos ciclos hidrológicos, manutenção da qualidade da água dos rios,  estabilidade e qualidade dos solos, além da conservação da biodiversidade.O código florestal brasileiro determina uma área mínima de mata ciliar nas Revista X - Águamargens de um rio, chamadas áreas de preservação permanente.

 

Uma grande causadora da destruição das matas ciliares é a pastagem. Os fazendeiros costumam desmatar essas áreas, pois o pasto se desenvolve mais facilmente pela alta umidade, princialmente nos períodos de seca. Produtores costumam, também, desmatar a Mata Ciliar para aumentar a produção de água dos igarapés nos períodos de estiagem, já que a mata deixa de bombear água para a transpiração das plantas. Porém, este efeito é inverso a longo prazo, diminuindo o volume de água dos aquíferos no período de seca.

A Agência Nacional de Águas (ANA), agência reguladora vinculada ao Ministério do Meio Ambiente (MMA), responsável pelo monitoramento, regulação, planejamento e aplicação da Lei das Águas do Brasil (lei 9.433/97), criou o programa Produtor de Águas, de adesão voluntária, que paga por serviços ambientais os produtores rurais, que por meio de práticas conservacionistas e de melhoria de cobertura vegetal, venham contribuir para a manutenção ou melhoria da disponibilidade de água.

O programa foi lançado pela ANA em 2001 e tem como objetivo estimular a conservação e recuperação de fontes de água através de um pagamento por esses serviços. Dessa forma, o produtor que, comumente, degradaria este ambiente, está agora responsável por mantê-lo ou recuperá-lo, melhorando a quantidade e a qualidade da água da região, beneficiando a todos. Na última seleção, em 2017, foram classificados 36 projetos.Revista X - Água

Mas não pense que a responsabilidade de recuperação das fontes é apenas para Agências e grandes produtores. Todos nós podemos (e devemos) participar dessa causa. Para isso, o Serviço Florestal Brasileiro criou o aplicativo Plantadores de Rios. Nele, cidadãos comuns e donos de terrenos onde exista fonte de recursos hídricos podem, em conjunto, executar ações de recuperação e preservação de rios e nascentes. O slogan do aplicativo é: ‘Plante florestas. Colha água’. Portanto, deixa bem clara a importância das florestas e vegetação na manutenção de reservas hídricas.

O aplicativo está disponível gratuitamente nas plataformas IOS e Android. Nele, o usuário cadastra seu CPF ou CNPJ e endereço de e-mail, indica como efetuará a ajuda (cerca, doação, limpeza ou mudas) e dessa forma o Plantadores de Rios indica, em um mapa, as nascentes mais próximas que necessitam de ajuda. Em seguida, o usuário escolhe a nascente que quer apadrinhar e, juntos, o usuário e o proprietário do terreno discutem as ações a serem executadas.

O objetivo de ambos os programas citados acima é de que seja efetuada uma preservação contínua, que traga resultados a curto e longo prazos. Diferente de projetos  anteriores, iniciados por diversas organizações, que tinham bons resultados de maneira imediata, porém, após alguns anos, encerram-se por falta de manutenção.

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