O Reinventar de Babi Xavier 439

Babi Xavier fala sobre nova rotina: “Estou fazendo faculdade de Psicologia e estou amando”

Revista X - Babi Xavier

Babi Xavier (43) conta como é estar se reinventando e seguindo por um caminho totalmente novo após anos nas telinhas. Cursando Psicologia e com um canal no Youtube, ela explica tudinho sobre essa nova fase de sua vida.

R.XBabi, você é uma mulher de muitos talentos. Foram seis novelas nas emissoras Globo, Band e Record, três programas na MTV, dois programas no SBT, duas minisséries e a apresentação do telejornal Sintonia Fina, contando também com a carreira de cantora. Entre todas essas profissões, o que você mais gosta de fazer?

BabiA que eu fiz por mais tempo e a que tive mais oportunidades de acertar foi como apresentadora, ali na Sky Net Sat, que foi onde eu comecei, aprendi a olhar para a câmera com verdade e tranquilidade e a passar a mensagem que eu pretendia passar. Foi como se eu tivesse feito os quatro anos de faculdade, dois de mestrado e dois de doutorado (risos) e as outras atividades revelam um lado meu em que eu ainda estou descobrindo.

 

R.X – Há uma diferença muito grande entre atuar, cantar e apresentar?

Babi – Há na forma como eu me sinto. Para apresentar, por exemplo, eu tenho que abrir o programa na minha forma genuína, o meu interesse tem que aflorar pelo meu objeto entrevistado.  Para eu me preparar para cantar, por exemplo, é outro jeito porque eu tenho que me lembrar da letra; é necessário entrar na hora certa. Se eu errar a letra, vou improvisar; já com a entrevista, eu tenho meus meios de disfarçar que eu errei alguma coisa. Dançar é o que utiliza mais a minha cara de pau (risos) porque uma vez que eu entendo que já treinei a coreografia o suficiente, não dá mais tempo de dizer sei ou não sei. Tem que entrar, tem que estar no ar, assim como foi com o Dança dos Famosos. Tive uma semana para treinar e quando chegou a hora foi carão, foi  curtir o momento como se não estivesse sendo julgada pelos júri. Já a questão de interpretar é mais tranquilo porque uma vez que o cenário já está todo preparado para a atuação, eu não preciso ser mais eu, viro personagem.

R.X – O programa Erótica MTV marcou bastante na época por se tratar de uma nova forma de falar com os adolescentes sobre sexualidade na televisão. Método que ainda é utilizado atualmente na própria emissora e nas demais. Como era para você fazer o programa? Você sempre foi uma pessoa de mente aberta?

Babi – Eu sempre tive ideais não totalmente igualitários, no sentido de igualdade, mas no sentido da equidade, até porque ninguém é igual a ninguém. Mas eu sempre busquei a validação, a valorização das mulheres. O Erótica, quando veio, me ajudou a desenvolver mais esse meu lado, mas também foi bastante sofrido porque os jornalistas, as pessoas em geral, muitas vezes não entendiam que o programa não se tratava de sexo explícito. Eu passei as primeiras oito semanas explicando o que o programa não iria ser e pedindo pelo amor de Deus para as pessoas assistirem para que elas pudessem entender aquilo que eu estava explicando, pois o programa não era vulgar e sim informativo.

“A família é a primeira sociedade que a gente tem. Então o momento para se colocar ou sucumbir é na família. Ou você cede, se encolhe e se anula, ou você se coloca”

R.X – Você já trabalhou em cinco emissoras. Há muita diferença entre elas ou a rotina era basicamente a mesma?

Babi – Assim como existe no meio corporativo, cada emissora tem uma cartilha exposta ou não, extensiva ou não, e você precisa ter a sensibilidade de descobrir como se movimentar lá dentro, por exemplo. Muitas vezes eu só entendia depois que já não fazia mais parte da emissora. Então realmente cada emissora tem um jeitinho de ser, mas quando você curte o que está fazendo, o que tem que fazer é desenvolver uma maturidade, ser sempre positiva e saber como lidar com as diferenças, mas também fazer as pessoas acreditarem nas suas ideias.

R.X – Como é a relação com a sua família? Eles sempre apoiaram sua carreira ou houve alguma restrição perante suas escolhas?

Babi –Meu pai ficou muito preocupado quando eu comecei a modelar porque eu tinha 19 anos de idade. Houve a restrição do meu pai desde o início, mas eu disse pra ele: “Deixa eu ir trabalhando que no decorrer do tempo eu vou te mostrando” e eu sempre mantive a minha postura, tentando me manter sã.

R.X – Falando em família, na novela Vidas Opostas, a Patrícia era mãe de adolescente e tinha um grande destaque na novela. Como foi interpretar esse papel? A personagem te ajudou a se preparar para a função de mãe na vida real?

Babi – Ah, com certeza! Foi muito divertido ter essa relação com adolescente, então eu aproveitei um pouco desse meu lado apresentadora que lidava com os jovens e adolescentes e levei para a trama. Desde a novela fiquei sonhando como seria a minha hora de ter uma filha adolescente. Também foi muito legal abordar o caso da mulher que é mais velha que o menino, foi muito incrível, muito legal mesmo.

R.X – Você acredita que a realização pessoal e profissional influencia na beleza feminina? Como o sucesso da sua carreira, seja no teatro, nas novelas, como escritora e/ou apresentadora, interfere na sua vida?

Babi – Não só a profissão influencia, mas tudo o que você acerta na sua vida influência e isso a gente só consegue com a busca de autoconhecimento e trabalhando nossa autoeficácia é claro que acertar no trabalho vitamina isso. A minha geração viveu o momento de transição do objetivo, que se dizia, casar, ter uma família, fazer a faculdade e ter uma profissão.  Já na geração dos 20 anos, o objetivo é ser bem sucedido no trabalho. Acredita-se que sendo feliz no trabalho se pode fazer tudo acontecer. Não importa a geração em que se vai nascer ou que nasceu, o que importa são as marcas que todas essas coisas vão deixar em você. O que importa é como se vai encarar tudo isso.

R.X – Como tem sido para você lidar com essa nova fase da sua vida?

Babi – O meu retrato é o retrato da mulher de hoje.  É a mulher que é considerada bonita, valente, bem sucedida, mas muitas vezes eu me vejo muito além disso; sendo mãe solteira, com dificuldades de entender para onde foi o amor romântico, como ele pode ou deve ser agora, como levar as relações, então é uma adaptação difícil. Acabou o meu contrato com a Record em Setembro de 2016, então em Janeiro eu já estava matriculada para cursar Psicologia porque era um sonho de menina e estou simplesmente amando. Abre muito a cabeça e é uma coisa com a qual eu vou querer articular arte, psicologia e fundamentos em filosofia. Hoje eu tenho uma vida que não é a que eu conhecia, mas agora as minhas prioridades são me formar em psicologia, cuidar da minha filha e eu também sei que a luta da mulher moderna é essa.

R.X – Como surgiu a ideia de criar o canal no Youtube “Talk Psicoleguinhas”?

Babi – Surgiu do medo extremo que eu tenho do YouTube (risos). A pauta vem do assunto estudado, que aborda sexualidade e que é o início e a finalidade de tudo. Tenho vontade de, quando eu estiver um pouquinho mais fundamentada em Psicologia, fazer um programa como foi o Erótica para continuar levando conhecimento, mensagens e acolhimento para a galera que está vindo e para quem quiser assistir.

R.X – Os assuntos abordados são indicados a partir de qual idade?

Babi –No Psicoleguinhas, na minha visão, eu gosto de pensar que estou falando para mulheres de 30 anos até 60, 70, 80, ou para quem quiser assistir.

R.X – Como tem sido a aceitação dos internautas em relação ao canal?

Babi – É muito difícil tornar um canal super famoso. Eu, a Paula e a Lu ainda não temos todos esses caminhos para dar a visibilidade que o canal precisa, mas as respostas ao que a gente tem postado têm sido positivas, só que eu acho que estamos devagar, acho que a gente pode mais.

R.X – Que recado você gostaria de deixar para as leitoras da Revista X que te veem como um modelo de mulher guerreira, bem resolvida e realizada?

Babi –Que existem os dias da guerreira e os de  voltar para casa, chorar no travesseiro, falar “Como é que eu me ajeito?”. Há momentos em que parece que todos os dias te acomete de uma vez só, e parece que você não vai dar conta. É isso que eu quero que vocês entendam, existem esses dias e o que vai fundamentar é você entender que existe o momento seguinte. Cada um tem a sua jornada, cada um tem seu caminho particular e a gente sempre pode tentar se perdoar.

R.X – Babi, nossa entrevista está encerrando e para finalizar, gostaríamos de saber qual é o seu X da questão? O que te move?

Babi – O que me move agora, o que me interessa agora é me livrar de crenças, sistemas e padrões antigos que vieram para me aprisionar. Meu x da questão é me libertar deles, buscar manter o que me faz bem, o que não vai trazer prejuízo para mim, minha família nem para o outro, porque a alteridade existe, não podemos ignorar.

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Jornalista (23). Fã de esportes, apaixonada por futebol e leitora assídua. Contato: thamirys.jornalista@gmail.com

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